Não nascemos com um caminho a ser trilhado, um destino pronto esperando apenas nosso envelhecer para ir se realizando. A morte, surda, caminha ao lado de cada um sem nem mesmo ter dado a opção de escolher a maneira como hei de partir. Existem tantas! Como ela irá saber do destino?
A cada pedido misericordioso de um beijo deitado (a) numa cama, dormindo, ela deve se importar menos. Cores, através das cores do céu ela define como leva seus passageiros. Isso cria medo. Medo do inexistente definitivo. Medo tal gera angústia de viver intensamente, incessantemente e prazerosamente. Carpe Diem!
É teu medo que te guia, que te faz ser bom no que tu és, que te faz ser cruel ou benévolo e que te faz seguir regras as quais tu segue. Como agirás só dependerá de ti, o homem é o exercício que faz e o valor, aos objetos, que deu. Coisas te colonizam, assim como terras desconhecidas outrora. Não saciam com apenas um ou dois, precisam de três e "(a)culturam", pois não têm piedade dos medrosos. Aquele vinho que lhe faz tomar sempre dele, aquele lugar que está sempre a lhe esperar, aquela comida que só sua vó faz ou aquele grupo com quem sempre andas. O bom é provar do vinagre ao vinho, estacionar em qualquer butequinho, comer qualquer escondidinho e parar de se preocupar com diminutos problemas. Os grandes, os grandes só existem proporcionalmente ao vazio vácuo do teu crânio.
Perder esse medo é parar de olhar o relógio em busca do tempo que já passou ao perceber que horas são. Descobrir viver sozinho com sua morte diária é pacientemente pisar o chão do teu caminho sentindo-o respirar, sem nunca ofegar, contemplando cada minuciosa beleza que vê passar, parar falar.
Por Lucas Landim

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