terça-feira, 31 de agosto de 2010

Mulheres


Gostaria de ter o dom de poder decifrá-las, não somente eu, mas muitos outros. Sei que as decifrando nada mais teria sentido, mas tudo se encaixaria, e surgiria a incrível pergunta: Por que tal anseio? Se o mundo fosse máquina, quebra cabeça, peças soltas procurando por um encaixe perfeito, aí sim surgiria a necessidade de acoplar, juntar, unir e muitos outros sinônimos para esse ato. Mas é aí que também surge outra pergunta: Unir para que?

 
Péspanturrilhasjoelhoscoxasquadrilcinturamãosbraçosseiosombrospescoçoqueixobocanarizolhosrostocabelo.

 
Pés, panturrilhas, joelhos, coxas, quadril, cintura, mãos, braços, seios, ombros, pescoço, queixo, boca, nariz, olhos, rosto, cabelo.

 
O sentido é maior observando cada detalhe. Impossível dizer que tais obras -primas surgiram da costela de um homem, elas são tão autossuficientes que tivemos que criar mitos, aprisioná-las para tentarmos ter o mínimo de chance de aparecer como personagem principal de uma cena, como numa peça teatral. Cada sutil movimento é belo, mas também voraz se coloca-las no perfil de cruel, pois cada uma é, e não é a toa que todas temem umas às outras. Engraçado como é possível coexistir em seres características como beleza, delicadeza, ferocidade e dengozidade sem modificar a harmonia, principalmente na relação entre homem e mulher.

 
Ah, vocês mulheres sabem como usar tais artifícios e nós apenas tentamos não nos render tão facilmente para não perder a graça. É desleal e desumano o arsenal, se assim posso me referir a tais atributos. Basta uma silhueta, o desenho do corpo escuro sobre uma luz branca para nos conquistar a atenção.

 
Manha toque mordida de lábio olhar passada de mão no cabelo cruzar de pernas...

 
Manha, toque, mordida de lábio, olhar, passada de mão no cabelo, cruzar de pernas...

 
Elas que sabem como fazer.






Por Landim

domingo, 29 de agosto de 2010

O homem que não amava


Um coração, apenas tecido sanguíneo, plasma e plaquetas, músculo contraindo e relaxando. O ditame era esse: sístole! diástole! sístole! diástole! sístole!; era mecânica pura e perfeita como a de um sistema de polias, tudo calculado: força,trabalho,potência.

Um homem. E que homem era esse? Baixo, alto, magro, gordo, loiro, moreno, preto, branco, azul, amarelo, forte, fraco, não importa. Era um homem.

Chico, João, até Zé que fosse, o moço tinha o direito- se possível for invocar direitos nesse campo de coisas metafísicas- de manifestar amor, de irradiar este sentimento nobre, refinado, entretanto simples, porém complexo e inerente ao porquê humano.

Por motivo nenhum uma pessoa pode ser privada ou se privar do amor, mesmo que platônico se caracterize por ser o tal sentimento. O amor é a realização de si em outrem; é projeção, bem-estar, paz, é blues...

O quadro clínico do rapaz era grave. Médicos renomados tentaram diagnosticar, estudaram, leram e releram toda doutrina possível, efetuaram todos os exames conhecidos: raios-Xs, eletrocardiogramas e exame de toque. Nada foi descoberto. Apenas sensações desagradáveis.

O sr. continuava a procurar a cura, a resolução de seu problema, em todos os lugares imagináveis: bibliotecas, bares, prostíbulos. Ia de um lado para o outro sem saber muito bem onde estava. Não achou em livros, nem no meio das pernas de nenhuma moça a solução. Na bebida e na casa de Dona Bete Cuscuz (casa de moças bonitas e baratas) esquecia do problema, tinha algumas horas de sossego.

E agora? O que fará nosso herói?

Continua...

Por Rubico

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Filme


Depois de muitas ideias passarem pela minha cabeça, mas nenhuma sendo maturada o suficiente eis que surge esse grande filme: Alice no País das Maravilhas.

Aconselho, antes de tudo, que leiam o livro, pois muita coisa do filme só é percebida após essa leitura e depois de conhecida a história.


Caso não tenha assistido ao filme recomendo não ler, conto o final!

No livro o país das maravilhas é literalmente fictício, mas o incrível Tim Burton conseguiu no filme fazê-lo real, pelo menos para Alice. Ela se encontra no estágio intermediário entre adolescência e sua vida adulta, precisando definir sua verdadeira identidade e amadurecer. Mas para tal transgressão é necessária, ou não, a superação da sua vida infantil, e para tomar essa decisão Alice precisa entrar no país das maravilhas, literalmente e psicologicamente. O início da jornada se dá com o surgimento do coelho branco (o também precursor da aventura literária) entrando no buraco, porta de entrada para o país das maravilhas. O coelho e todos os habitantes dessa pátria procuram pela Alice, que é onde percebesse que ela não mais visita a região por um tempo. Com a aparição da "nova" Alice, remasterizada, civilizada, todos acreditam que não é ela que vai livrá-los da Rainha de Copas.

A Rainha de Copas aparece como a "época negra" de Alice. Aquela fase de revolta, que ninguém quer ser associado a uma criança, pois já é adolescente e não pratica mais aqueles atos infantis, fase que também é marcada pela adequação a uma REALIDADE exterior de compromissos, etiquetas e modos de se vestir e se apresentar ao mundo. É com esses costumes que Alice entra novamente no país das maravilhas e é julgada por não ser a verdadeira Alice, coisa que a própria também acha ser verdade. Ela no começo não quer enfrentar esse dilema formado sobre sua pessoa, pois tem medo de mudar, como todo mundo, mas com o deslanchar do filme ela vai tomando coragem e atingindo seu objetivo.

A segunda personagem principal do filme, se assim posso dizer, é o Chapeleiro. Um dos que mais conhece a verdadeira Alice e luta para que ela vença e conquiste seu objetivo. A contradição encontrada nesse fato é que ao completar seu propósito o Chapeleiro não mais passará de apenas uma lembrança de Alice. Com cada gesto minucioso, como tirar seu chapéu em qualquer ocasião, o Chapeleiro se destaca não apenas por ser representado pela imagem de Johnny Depp, mas por ser um louco, certo. Louco pelas suas características, certo pelos seus ideais.

O desfecho do filme, claro, se dá com a morte do Jabberwocky (Jaguadarte – dragão de um poema do próprio Lewis Carrol) que é tido como a transgressão em si. Mas para isso Alice teve que descobrir quem realmente era, e isso só foi possível após uma conversa com Absolem, a lagarta azul que a ajuda, no livro com o seu problema de tamanho e no filme a ajuda a perceber que o mundo cujo ela mesma denominou País das Maravilhas era real como tudo aquilo que ali existia. Com seu retorno para o mundo real, das pessoas "normais", Alice aparece como uma "revolucionária". Recusa casamento, e pretende seguir sua vida como seu pai, um audacioso homem de negócios que sonhava em cruzar o mundo.

Esse filme conta muito mais do que a vida de Alice, ele mostra os questionamentos que toda pessoa se faz, mostra que nem tudo que é certo a ser feito é o real a ser seguido, mostra, principalmente e sutilmente com o Gato de Cheshire que por mais que você se esconda atrás de uma "máscara" essa sempre transparecerá seu verdadeiro eu, e com os acompanhantes da rainha que nem todos aqueles que lhe rodeiam são verdadeiros.

ALICE: -"Acha que estou enlouquecendo"?
PAI: - "Acho que sim. Tu estás louca, maluca, perdeu a razão. Mas vou lhe contar um segredo. AS MELHORES PESSOAS SÃO"!



 Quero deixar claro que foram pontos de vista pessoais.
Qualquer outra interpretação será muito bem-vinda.
Com certeza ficou faltando colocar alguma coisa.
Abraço, Landim

domingo, 15 de agosto de 2010

Papo escatológico ilógico


Vomitar, pensar, pensar, vomitar.

Será que existe alguma semelhança? Fiquei me perguntando e resolvi fazer uma explanação só por curiosidade, por não ter nada mais de interessante a fazer (pra ser sincero).

Os dois fenômenos pressupõem trabalho, força, labuta. Vomitar é a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Pensar não necessariamente é expulsar, tão pouco expulsar conteúdo gástrico, mas é um exercício. Acontece que além dos vômitos alimentares - quando apresentam apenas conteúdos alimentares- existem os vômitos fecalóides (termo técnico com fonte na Wiki) - quando apresentam características como odor pútrido e cor escura. Vejamos:

Pensamentos podem ter cor escura?... sim... podem! Eu tenho pensamentos obscuros freqüentemente durante o dia- imaginem então pela noite. Citando um exemplo, durante o dia vem aquele lapso, apenas um lapso, de querer explodir um ônibus urbano quando atrasa e você tem algum compromisso importante; ou está lotado e você quer espaço, afirmar a sua individualidade pregada pela modernidade; ou até mesmo quando tem vômito de amendoim no banco em que você, descuidadamente, sentou. Que vontade que dá de explodir tudo, gritar, matar- principalmente nessa ultima situação em que, por sinal, o vômito é o que dá origem ao pensamento.

Podem feder?... não. Acho que não. Pensamentos fedidos? Como seria o fedor dentro da cabeça? É até difícil imaginar isso. Acho tão improvável essa possibilidade do odor que, por exemplo, tem gente que fala merda, muita merda, e nem por isso sai-lhe fedendo a merda dita pela boca.

Tem também aquele vômito em jato - são vômitos explosivos, e a bulimia nervosa - vômitos induzidos, patológicos. Se nós tentarmos relacioná-los com pensamentos, meditações, esse seria o caso de pessoas que muito pensam, explosivamente, por mania (mania de pensar?), gosto talvez patológico de raciocinar, ou seja, gênios ou loucos. Já me perguntei tanto se sou louco; como saberia que não sou louco; como seria ser louco; se não é loucura pensar ser louco. Foi num desses dias de questionamento que ouvi, num programa desses como “tarde maior” ou “manhã toda sua” e que fica uma mulher velha, loira e com muitas intervenções plástico-cirurgicas dizendo coisas sem sentido algum, a definição de loucura que mais me conforta e me dá segurança de que não sou louco: louco é aquele que não mais se pergunta sobre sua loucura. Mas na verdade, nem tanta segurança assim me passa, pois nesse exato momento questiono-me sobre a utilidade, lógica, concatenação, lucidez do texto que escrevo. Isto é doentio! Será que faz sentido ou foi apenas... loucura?

Estou começando a ficar enjoado de tentar pensar mais alguma coisa. Acho que vou vomitar...


Por Rubico

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Música

Ao escutar Lenine, hoje, tive vontade de escrever aqui um pouco sobre música. Não sou dos mais conhecidos, mas também não sou dos menos. Lenine toca um estilo de música conhecido como Folk Music, mais puxado para o lado do bom e velho rock’n roll que se dissemina em inúmeros outros estilos. A Folk Music se caracteriza, no âmago, pela presença de uma guitarra com instrumentos folclóricos, ou seja, instrumentos que caracterizam a região na qual a música é realizada. No nosso caso, Lenine, usa-se instrumentos que dão um sentido para o samba. Principal arco musical brasileiro.

Além de Lenine temos Los Hermanos, Zé Ramalho (que utiliza gaita igual ao principal nome do Folk Rock, Bob Dylan), Fagner etc.

O Disco de Lenine que mais pode ser percebido esse estilo é no denominado “Na Pressão” que existem músicas mil retratando o estilo de vida brasileiro, os costumes, sofrimentos e alegrias desse nosso povo.

Espero ter ajudado um pouco na construção cultural dos leitores.




Abraço, Landim

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Prazer!

Vomir será uma vicinal de escape.
Trataremos aqui de assuntos mil, vomitaremos pensamentos, angústias, aflições, questionamentos,dizeres, filosofias sem nenhum fundamento filosófico, sambas, rocks, o partido da esquerda, da direita, do centro, os agrados e desagrados, enfim, artefatos cotidianos que nos surgem e escapam no momento seguinte não nos dando oportunidade de compartilhá-los. Vomitaremos sim os tais malditos pensamentos apressados, mas com toda elegância e sofisticação de quem come um escargot antes de tudo isso.
Vomir será, assim, uma memória. Um depósito. Um balde.

Abraço.
Rubico e Landim