quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Semelhante Diferença

Pele morena, olhos castanhos. Pele branca, olhos verdes. Pele morena, olhos verdes. Pele branca, olhos castanhos. Alto índice de pluviosidade, seca total. Colinas, morros, depressões, planícies, planaltos. Pobres, endinheirados, endividados. É nesse mundo de diferenças que nos forçam a sermos iguais.

Não conseguimos conviver naturalmente com as disparidades. Criticamos, segregamos e humilhamos aqueles não tentam ser parecidos conosco. Não sabemos lidar com opiniões diferentes. Acabamos estressados em discussões orgulhosas que não levam a conclusão alguma, a não ser à comprovação da necessidade de amadurecimento e evolução.

Nascemos puros e imaculados, como um computador novo que será utilizado de acordo com a necessidade do dono. É difícil admitir, mas somos objetos, de nós próprios. Não é a mídia que nos controla, não é a influência alheia que nos molda e não são as regras que nos regem. Permitimos o controle, o molde e a regência a partir das teorias menos nocivas aos olhos de cada um. Como para existir pessoas diferentes precisamos de características e personalidades distintas, somos livres para escolher como viver.

O problema começa quando a convivência vem à tona. Sobreviver é uma questão complicada, problemática. Suportar críticas, abusos e constrangimentos não é algo fácil, precisa-se de mantimentos, munição e tática, como numa guerra. Cada dia é uma batalha de vitória ou derrota, sem meio termo. Para os fortes.

Diferenças ambientais, sociais ou étnicas são relevantes, somente que não mais em relação às psicológicas. Os mundos individuais definem o coletivo. Quanto mais parecidos, pior a guerra para os diferentes, mas maior a capacidade de viver, conviver e sobreviver. Aprender, aplicar e colher.
 
Os parecidos se unem pela semelhança, os alternativos pela diferença.


Por Lucas landim

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