sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Flagrante!

Agoniado, parado no semáforo às 23:40h de uma noite de sexta, com uma fome da porra; com um pacote cheio dentro do carro. Dentro estavam 2 Big Mac’s e uma batatinha frita média, tudo isso ao lado de uma divina Coca-cola de 500ml. Os Novos Baianos tocava ao fundo quando na arrancada do abrir da sinaleira, breca rispidamente uma viatura na minha frente.


- perdeu playboy perdeu! perdeu playboy perdeu! perdeu playboy perdeu! Perdeu perdeu porra!

A adrenalina sobe.Gritaria e confusão. Tenso. Não sabia o que tinha feito, estava tudo em ordem e o dia fora normal. Será que era um assalto? Um golpe ou algo assim?

Abro a porta, o policial me arranca do carro e começa o baculejo.

-mão na cabeça porra mão na cabeça bôra porra mão na cabeça! Revista ele olha a cintura pra ver se tem arma cheira a mão desse vagabundo! Mão na cabeça porra!
- mas seu policial, eu não fiz nada.
-cala boca porra filho-da-puta maconheiro! (ouviu-se o som inequívoco de um tapa no pescoço)
-mas eu não fumo e nem nada, dr. Tava só comendo meu lanche...!
- que lanche é esse aí... Mc Donalds?Que larica da porra é essa? Dois Big Mac’s, seu maconheiro? E que blusa vermelha é essa? Ainda por cima é comunista, seu maconheiro? Que porra é essa, em porra? Batatinha frita e as porra, porra!

Morais Moreira enquanto isso cantava:

“Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso
Jogando meu corpo no mundo
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
Passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas
Passado, presente
Participo sendo o mistério do planeta”

E Pepeu loucamente na guitarra... e toda aquela história de “Mas ando e penso sempre com mais de um, por isso ninguém vê minha sacola”. Me fudi. Um dos policiais gritou: é fragrante poorra! Música de maconheiro da porra, porra! fragante nesse viadinho, história de sacola, mistério e planeta...! E que larica é essa, pai?! Se fudeu, maconheiro-comunista, vai ficar preso com seus colega da USP!
Porra, a combinação era realmente perfeita: nada mais maconheiro que Novos Baianos e Big Mac às 23h da noite numa sexta. Parecia tudo tão inequívoco quanto o som do tapa em meu pescoço. Só me vinha na cabeça a figura de Morais com aqueles cabelos (!), a lembrança de Baby dançando como uma louca e de Pepeu tocando alucinado!... puta-que-pariu!
-mas dotô- protestei - pêra aí dotô... vamo vê essa história direito aí... sou estudante, menino de futuro, mereço meu perdão... quem sabe uma batatinha ai...
- isso é corrupção porra tamaluco? Quer se fuder porra? (batatinha porra? quis na verdade dizer ele).
Eu na minha astúcia, percebi.
-ou por que não um sanduichezinho... disse como quem quer tirar o seu da reta.
 Ele parou, pensou e falou preu entrar no carro com o pacote da Mac. Entrei, entreguei e saí com meu flagrante desfeito mais rápido do que um fast food.

Fui pro meu carro, me acalmei depois daquilo tudo que tinha vivido e olhei pro lado: vi a Coca. Eles esqueceram da Coca... sorri. Ainda restavam 500ml de refrigerante e mais seis músicas dos Novos Baianos. Ainda dava pra ficar na brisa com aquela salva!

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