Um homem corre pela rua. Corre como se nada existisse corre como se fosse sua última opção corre em busca de algo ou para livrar-se de algo mais corre como se o vento fosse água que lavaria seu espírito corre como estivesse se autoflagelando. Pessoas e carros vão a sentido oposto ao seu ou seria apenas contrário? Não se sabe dizer ao certo, mas por ele nada é percebido, tudo passa como vulto desenhando seu percurso infinito um quadro borrado vários quadros borrados sendo feitos a cada milímetro percorrido e cada desvio torna a figura mais concisa, pura, como uma parada rápida observando tudo aquilo que lhe rodeia. Seus músculos parecem peças de uma máquina seria ele uma ou a vontade ou certo motivo que o tornaram indestrutível? A cada contração e relaxamento ele se cansa menos, como se essa sequência fosse automática e dessa maneira ele corre. Corre sem destino sem esquecer de onde partiu pretendendo voltar um dia corre levando em seu peito a futura sensação chamada saudade corre como se isso fosse seu último ato de vida ou corre como se fosse isso que salvaria sua vida contração relaxamento sístole diástole a adrenalina pinga em seu sangue como uma torneira quebrada, mas cada gota é o suficiente para mantê-lo em inércia. Um observador tomando um café e fumando um cigarro dentro de uma lanchonete o vê em plena disparada a sua direção e levanta-se curioso para tomar parte da situação, mas ao chegar à porta nada mais vê. A interrogação que fica é para onde ele estava indo e porque estava indo tão depressa, nesta mesma hora uma folha do jornal do dia desce como se tivesse alçado voo devido à velocidade do homem que acabara de passar. O observador a lê e tenta tomar uma decisão entre correr e permanecer parado. Mas ficar parado por quê?
Sugiro colocar o vídeo aqui do blog pra tocar e reler!
Por Landim
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