
Após muita reflexão, entre um copo e outro da mesma bebida, nosso herói percebeu: estaria ele num beco sem saída? Resolveu deixar aquele bar de atmosfera acre onde se encontrava e foi caminhar. Estava cansado, quase desistindo daquilo tudo, daquela busca infinita por outro ou por si mesmo. Pra quê curar?!- perguntava-se.
Não sei se o defeito de não amar de fato estava no cérebro- como colocado em comentários do texto anterior-, o que sei é que poderia estar em qualquer lugar: no pâncreas, fígado, baço, medula, nas pernas, braços, intestino grosso ou delgado...
Entretanto, foi com os olhos que ele a avistou. Os olhos não possuíam disfunção alguma, tinha certeza disso. Passava pelo calçadão (comércio e centro da cidade) com as mãos no bolso e cabelo despenteado quando viu por detrás daquele semi-reflexo da vitrine de uma loja coisa tal que fê-lo parar. Sentiu seu coração ficar num ritmo mais intenso e gostoso, sentiu euforia, felicidade inexplicável.
Era preta, magra, fina, e que design... brilhava parecia que com luz própria. Estava ali: parada. Ele olhou para ela e percebeu que ela também olhava para ele, começara o flerte, a sedução. Seu coração agora palpitava tanto que sentia seu intestino revirar. Isso não era bom. Logo agora o intestino grosso inventou de funcionar?! Apesar disso continuou. Sentia-se fortemente atraído por ela. Entrou na loja timidamente, pediu informações ao funcionário preguiçoso que por acaso estava ali. Disfarçou. Depois disso foi chegando perto, não acreditava que estava fazendo mesmo aquilo!
Quando se aproximou o suficiente para tocá-la, senti-la, entristeceu-se de vez. Era muito cara! Dois mil quinhentos e oitenta reais por uma televisão? Tudo bem que parcelavam em dez vezes sem juros... mas não tinha cartão de crédito e ainda com a mão no bolso sabia que não possuía um tostão furado que fosse! Gastara tudo em mulheres e bebidas. Transtornado, com uma dor incessante no peito, correu rua a fora freneticamente. Chorando desesperadamente, correndo entre os carros, tropeçando nos buracos do asfalto não percebeu uma bicicleta vindo em sua direção. Ao colidir, o ciclista saltou como se a gravidade não existisse e nosso herói caiu, bateu a cabeça contra o chão. Num ultimo fio de vida percebeu que seu coração tinha saído do corpo e pousara na mão. Um coração, apenas tecido sanguíneo, plasma e plaquetas, músculo contraindo e relaxando... agora morrendo. O ditame sístole!diástole! ia enfraquecendo mais e mais.
Ele olhou, admirou e morreu.
Apesar de tudo, Deus garantiu o lugar da sua alma no céu. Ao chegar diante dos portões do paraíso, ouviu uma voz cheia de paz que afirmava ser ele puro. Não amava, isto era certo. Por outro lado também não odiava. Teve assim- como consolo talvez- os portões do céu abertos e a paz eterna.
Rsrs... que imaginação fértil Pedrinho, por um minuto pensei que o cara tinha encontrado alguém...Me iludi pensando que iria encontrar um final feliz, mais encontrei foi um final trágico e cômico... Meeee poqueeei de rir... Tu é uma onda.
ResponderExcluirResumindo: Nós seres humanos racionas sempre sentiremos falta de algo ou alguém. Criamos expectativas, projetamos as nossas ilusões e ao final nos decepcionamos ou não... Seja por situação financeira, seja por questão de gosto e outros mil fatores!
Taaa muito engraçado
BG
Muito boa sua história Pedro, pena que esse cara jogou um amor tão lindo num vaso sanitário e deu descarga ...a escolha foi dele, nós escolhemos o caminho que queremos trilhar... ele mereceu esse final trágico.
ResponderExcluirabraços. EU...
"ele mereceu esse final trágico."
ResponderExcluircoitado do bixinho! eauhseuihsaiuheaiusheiuahseiuahseiuh
coitado do rato que nasce pelado! hihihi... bem feito pra ele!...
ResponderExcluirAdorei sua história Pedro! vc tá de parabéns! abraços! EU
ResponderExcluirRubico, meu amigo, você escreve muito bem e de um jeito original. Vou continuar acompanhando suas historias, beeijo
ResponderExcluirhahaha ri demais! rpz eu nao sabia que tu escrevia tao bem ;O parabens viu
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