domingo, 15 de agosto de 2010

Papo escatológico ilógico


Vomitar, pensar, pensar, vomitar.

Será que existe alguma semelhança? Fiquei me perguntando e resolvi fazer uma explanação só por curiosidade, por não ter nada mais de interessante a fazer (pra ser sincero).

Os dois fenômenos pressupõem trabalho, força, labuta. Vomitar é a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Pensar não necessariamente é expulsar, tão pouco expulsar conteúdo gástrico, mas é um exercício. Acontece que além dos vômitos alimentares - quando apresentam apenas conteúdos alimentares- existem os vômitos fecalóides (termo técnico com fonte na Wiki) - quando apresentam características como odor pútrido e cor escura. Vejamos:

Pensamentos podem ter cor escura?... sim... podem! Eu tenho pensamentos obscuros freqüentemente durante o dia- imaginem então pela noite. Citando um exemplo, durante o dia vem aquele lapso, apenas um lapso, de querer explodir um ônibus urbano quando atrasa e você tem algum compromisso importante; ou está lotado e você quer espaço, afirmar a sua individualidade pregada pela modernidade; ou até mesmo quando tem vômito de amendoim no banco em que você, descuidadamente, sentou. Que vontade que dá de explodir tudo, gritar, matar- principalmente nessa ultima situação em que, por sinal, o vômito é o que dá origem ao pensamento.

Podem feder?... não. Acho que não. Pensamentos fedidos? Como seria o fedor dentro da cabeça? É até difícil imaginar isso. Acho tão improvável essa possibilidade do odor que, por exemplo, tem gente que fala merda, muita merda, e nem por isso sai-lhe fedendo a merda dita pela boca.

Tem também aquele vômito em jato - são vômitos explosivos, e a bulimia nervosa - vômitos induzidos, patológicos. Se nós tentarmos relacioná-los com pensamentos, meditações, esse seria o caso de pessoas que muito pensam, explosivamente, por mania (mania de pensar?), gosto talvez patológico de raciocinar, ou seja, gênios ou loucos. Já me perguntei tanto se sou louco; como saberia que não sou louco; como seria ser louco; se não é loucura pensar ser louco. Foi num desses dias de questionamento que ouvi, num programa desses como “tarde maior” ou “manhã toda sua” e que fica uma mulher velha, loira e com muitas intervenções plástico-cirurgicas dizendo coisas sem sentido algum, a definição de loucura que mais me conforta e me dá segurança de que não sou louco: louco é aquele que não mais se pergunta sobre sua loucura. Mas na verdade, nem tanta segurança assim me passa, pois nesse exato momento questiono-me sobre a utilidade, lógica, concatenação, lucidez do texto que escrevo. Isto é doentio! Será que faz sentido ou foi apenas... loucura?

Estou começando a ficar enjoado de tentar pensar mais alguma coisa. Acho que vou vomitar...


Por Rubico

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