Depois de muitas ideias passarem pela minha cabeça, mas nenhuma sendo maturada o suficiente eis que surge esse grande filme: Alice no País das Maravilhas.
Aconselho, antes de tudo, que leiam o livro, pois muita coisa do filme só é percebida após essa leitura e depois de conhecida a história.
Caso não tenha assistido ao filme recomendo não ler, conto o final!
No livro o país das maravilhas é literalmente fictício, mas o incrível Tim Burton conseguiu no filme fazê-lo real, pelo menos para Alice. Ela se encontra no estágio intermediário entre adolescência e sua vida adulta, precisando definir sua verdadeira identidade e amadurecer. Mas para tal transgressão é necessária, ou não, a superação da sua vida infantil, e para tomar essa decisão Alice precisa entrar no país das maravilhas, literalmente e psicologicamente. O início da jornada se dá com o surgimento do coelho branco (o também precursor da aventura literária) entrando no buraco, porta de entrada para o país das maravilhas. O coelho e todos os habitantes dessa pátria procuram pela Alice, que é onde percebesse que ela não mais visita a região por um tempo. Com a aparição da "nova" Alice, remasterizada, civilizada, todos acreditam que não é ela que vai livrá-los da Rainha de Copas.
A Rainha de Copas aparece como a "época negra" de Alice. Aquela fase de revolta, que ninguém quer ser associado a uma criança, pois já é adolescente e não pratica mais aqueles atos infantis, fase que também é marcada pela adequação a uma REALIDADE exterior de compromissos, etiquetas e modos de se vestir e se apresentar ao mundo. É com esses costumes que Alice entra novamente no país das maravilhas e é julgada por não ser a verdadeira Alice, coisa que a própria também acha ser verdade. Ela no começo não quer enfrentar esse dilema formado sobre sua pessoa, pois tem medo de mudar, como todo mundo, mas com o deslanchar do filme ela vai tomando coragem e atingindo seu objetivo.
A segunda personagem principal do filme, se assim posso dizer, é o Chapeleiro. Um dos que mais conhece a verdadeira Alice e luta para que ela vença e conquiste seu objetivo. A contradição encontrada nesse fato é que ao completar seu propósito o Chapeleiro não mais passará de apenas uma lembrança de Alice. Com cada gesto minucioso, como tirar seu chapéu em qualquer ocasião, o Chapeleiro se destaca não apenas por ser representado pela imagem de Johnny Depp, mas por ser um louco, certo. Louco pelas suas características, certo pelos seus ideais.
O desfecho do filme, claro, se dá com a morte do Jabberwocky (Jaguadarte – dragão de um poema do próprio Lewis Carrol) que é tido como a transgressão em si. Mas para isso Alice teve que descobrir quem realmente era, e isso só foi possível após uma conversa com Absolem, a lagarta azul que a ajuda, no livro com o seu problema de tamanho e no filme a ajuda a perceber que o mundo cujo ela mesma denominou País das Maravilhas era real como tudo aquilo que ali existia. Com seu retorno para o mundo real, das pessoas "normais", Alice aparece como uma "revolucionária". Recusa casamento, e pretende seguir sua vida como seu pai, um audacioso homem de negócios que sonhava em cruzar o mundo.
Esse filme conta muito mais do que a vida de Alice, ele mostra os questionamentos que toda pessoa se faz, mostra que nem tudo que é certo a ser feito é o real a ser seguido, mostra, principalmente e sutilmente com o Gato de Cheshire que por mais que você se esconda atrás de uma "máscara" essa sempre transparecerá seu verdadeiro eu, e com os acompanhantes da rainha que nem todos aqueles que lhe rodeiam são verdadeiros.
ALICE: -"Acha que estou enlouquecendo"?
PAI: - "Acho que sim. Tu estás louca, maluca, perdeu a razão. Mas vou lhe contar um segredo. AS MELHORES PESSOAS SÃO"!
Quero deixar claro que foram pontos de vista pessoais.
Qualquer outra interpretação será muito bem-vinda.
Com certeza ficou faltando colocar alguma coisa.
Abraço, Landim
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