quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Peças Íntimas

A porta do quarto atrás bate. Ela permaneceu lá, deitada na cama como se nada houvesse acontecido. Calcinha e uma camisa de algodão eram as únicas roupas que a cobriam.Cobriam como se revelassem uma noite intensa e que essas eram as únicas peças que a preguiça a deixasse vestir. Mas não! Ela dormia solenemente, e vestia calcinha e uma camisa de algodão pelo fato de sentir-se confortável com elas, nada mais. À frente da porta um corredor negro e vazio fazia suas curvas serem lembradas a cada passo à cozinha para beber um copo d'água. Ao voltar para o quarto o espelho do banheiro revela um homem sonolento. Ele não queria estar sonolento. Muitas vezes fez essa mesma viagem, para essa mesma cozinha e não foi visto daquela maneira, mas sim com um sorriso canto de boca que o inspirava no retorno ao quarto no qual aquela mesma garota está agora a dormir e com ela mesma recomeçar para terminar uma noite interminável. No caminho o chuveiro o convidou para uma conversa na qual ele não parava de perguntar onde errou ou se realmente tinha errado. Ele a desejava sempre, com apenas um olhar para indeterminado ponto do seu corpo, com apenas um toque. Perguntava ao conselheiro se era um depravado, maníaco ou qualquer porra que significasse tarado, mesmo sabendo não ser. A grande pergunta era mesmo, aquela que questionava tal sono daquela garota. O motivo de estar dormindo era uma incógnita até mesmo para aquele que tinha as melhores respostas. Então ele interrompe a queda d'água, pega sua toalha e ao enxugar o rosto o mesmo espelho mostra tal homem afundado em pensamentos e reflexões. Tomou seu caminho de volta e ao abrir aquela porta que revelara sua amante em sono profundo não parecia a mesma porta que se fechou minutos atrás, pois ali em frente àquela porta havia um homem decidido. Seu objetivo era retroceder, não evolutivamente, mas sentimentalmente, a ponto da garota se sentir atraída por ele novamente. Através de beijos, carícias ele a reacendeu como uma chama em uma vela. Ele sabia para o que ali estava, ela sabia também para o que ali estava. Calcinha e uma camisa de algodão passaram a ser apenas roupas jogadas ao chão. Aquela noite não teve fim.





Por Lucas Landim

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